Na primeira página de Maids, uma graphic novel de Katie Skelly, uma jovem pega um globo ocular humano do chão e o cutuca cautelosamente com o dedo indicador. Quando ela está prestes a cutucar a pupila da esfera ocular sem corpo, Skelly muda o quadro para mostrar a mesma jovem tocando a campainha de uma porta em preto e branco. Essa é a primeira de várias transições cinematográficas inteligentes, não muito diferente da que Sophia Coppolla usaria se fosse dirigir um filme baseado nessa história.
Maids é baseado na história real de Christine e Lea Papin, duas irmãs que trabalhavam como empregadas domésticas e que mataram seus empregadores, os Lancelins, na década de 1930. O estilo de Skelly é simples e bem focado, ilustrando as nuances da casa dos Lancelin em um volume notavelmente curto, mas rico. A casa dos Lancelin é repleta de tons monocromáticos de cinza e pastéis claros. Salpicos de vermelho aparecem quando as moças conseguem se libertar das amarras constritivas que sua classe social lhes impôs ou quando sua raiva se inflama com intenções assassinas.
De acordo com a Wikipedia, os estudiosos franceses viram os assassinatos de Papin como um símbolo da luta de classes na França. Skelly definitivamente simpatiza com as irmãs Papin, que matam seus patrões para que possam ter mais tempo umas com as outras. Esse romance é dedicado à própria irmã do autor. Para ler Maids, clique aqui.