Seu hábito de assistir a filmes clássicos precisa de um pouco mais de energia e entusiasmo? De um empurrãozinho? Então, posso sugerir que você dê uma chance à loucura pré-Código dos musicais de Busby Berkeley!
Antes da imposição das diretrizes de censura do Código Hays aos filmes de Hollywood, em 1934, o cinema norte-americano tinha liberdade para se expressar e podia explorar questões sociais e a sexualidade de maneiras muitas vezes verdadeiramente criativas. O resultado são filmes antigos que, embora às vezes sejam ignorados, parecem muito modernos quando comparados a muitos de seus equivalentes das décadas de 1940 e 1950.
“Gold Diggers of 1933” conta uma história clássica do tipo “vamos montar um espetáculo!” – dançarinas em dificuldades financeiras, na época da Grande Depressão, tentam desesperadamente conseguir trabalho. Um dos namorados das mulheres é um grande compositor e cantor, e também se oferece para financiar o espetáculo que elas estão tentando montar. Assim que os parentes ricos do rapaz ficam sabendo de seus planos e de seu romance com uma “caçadora de fortunas”, eles entram em cena para tentar estragar tudo. As mulheres precisam usar toda a sua inteligência (e outros artifícios) para superar esses aristocratas intrometidos.
O que distingue “Gold Diggers” são suas alusões bastante explícitas ao sexo, sua disposição para experimentar números musicais criativos e o espetáculo dos números coreografados por Busby Berkeley, repletos de figurinos e ângulos de câmera surpreendentes e peculiares. Há também inúmeras referências à Grande Depressão e à pobreza, incluindo um longo número musical com viés social que retrata o “Homem Esquecido”, o soldado que voltou da guerra e foi deixado à própria sorte.